Tratamento conservador

Consulta

A Doença Renal Crônica (DRC) ocorre quando os rins começam a perder seu funcionamento adequado. Essa doença pode ocorrer por várias causas, como o envelhecimento, a hipertensão arterial, o diabetes mellitus, entre muitas outras.

A medida que os rins vão ficando mais “preguiçosos”, eles não conseguem mais realizar todas as suas funções adequadamente. Nesse caso, a filtração do sangue, que é uma das principais funções dos rins, vai ficando comprometida, e ocorre o acúmulo de toxinas e impurezas no sangue, já que os rins não conseguem filtrar adequadamente todas essas “sujeiras”.

A taxa de filtração do sangue pode ser medida por vários métodos, e o mais utilizado é o exame chamado clearance de creatinina. Esse exame consegue estimar qual a “porcentagem” de funcionamento dos rins. Pessoas jovens e saudáveis tem essa porcentagem próxima de 100%. A medida que envelhecemos ou ficamos doentes, essa porcentagem vai se reduzindo.

Na Doença Renal Crônica, o clearance de creatinina vai sendo reduzido a medida que a doença progride. Quando esse funcionamento cai abaixo de 30%, acende-se uma luz amarela de alerta: esse paciente precisa ser acompanhado mais de perto pelo especialista: o Nefrologista.

Quando o funcionamento dos rins fica abaixo de 10 ou 15%, o acúmulo de impurezas no sangue é tão grande que a pessoa precisa de tratamentos para “limpar” (ou depurar) o sangue: são as chamadas Terapias Renais Substitutivas (TRS), como a Hemodiálise, a Diálise Peritoneal e o Transplante Renal.

O Tratamento Conservador da DRC entra justamente nesta janela, quando a função renal está abaixo dos 30%, porém ainda não é necessário iniciar a Terapia Renal Substitutiva. Esses pacientes precisam de acompanhamento periódico com o Nefrologista (a cada um, dois ou três meses dependendo do caso), com consultas, exames e ajustes das medicações, tudo isso para otimizar o funcionamento dos rins e retardar a piora da Doença Renal Crônica.

Também é importante toda a equipe multidisciplinar, com nutricionista, psicóloga, assistente social e enfermagem, para que todos os aspectos da saúde do paciente sejam abordados, garantindo um tratamento mais completo e com melhores resultados.

Nesta fase também é importante entender que a doença renal é crônica e progressiva, e mesmo com todo o tratamento para prevenir a piora dos rins, o correto é se preparar para quando eles falharem. Dessa forma, a equipe sempre conversa com o paciente e familiares para programar um plano de ação:

  1. Se os rins falharem, qual vai ser o tipo de Terapia Renal Substitutiva escolhido?
  2. Depois de escolhido o tipo de TRS, preparar o paciente para o tratamento, com confecção de fístula arteriovenosa no caso da hemodiálise ou implante de cateter no caso da diálise peritoneal. Esses procedimentos podem ser realizados com calma e sem correria, mas ficam prontos como uma reserva. Caso os rins falhem, eles já estão prontos para uso, sem precisar fazer tudo de urgência, com maiores riscos
  3. Preparar o paciente e seus familiares para um eventual transplante renal, de modo que os exames pré-transplante possam ser adiantados e quando os rins falharem e o paciente precisar de diálise, o transplante possa ser realizado o mais rápido possível.

Entendendo melhor o que é a Doença Renal Crônica e o que é o Tratamento Conservador, fica mais fácil para o paciente e sua família entenderem e aceitarem a doença, e realizarem todo o tratamento da melhor forma possível, sempre preservando a vida com mais qualidade.

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