Transplante renal

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O Transplante Renal é uma forma de tratamento da doença renal crônica. No transplante renal, um novo rim com funcionamento normal é implantado no abdome do paciente que tem insuficiência renal.

Normalmente o rim é colocado na fossa ilíaca, ou seja, na parte inferior do abdome, do lado direito ou do lado esquerdo. Atualmente não se retiram os rins nativos que não funcionam, salvo em raras exceções. Dessa forma, o paciente que faz transplante costuma ficar com três rins: seus dois que não funcionam mais e o novo rim transplantado.

Existem duas formas de receber uma doação renal: de doador vivo e de doador falecido. Vamos explicar um pouco sobre cada tipo de doador:

O doador vivo:

Qualquer parente pode doar o rim a um paciente em diálise, desde que o doador tenha entre 18 e 65 anos e queira doar de livre e espontânea vontade. Quanto mais próximo o parente, maior a chance de sucesso do transplante. De um modo geral, um doador com compatibilidade de 25% dos genes, como um irmão não gêmeo ou um tio, tem chance de sucesso próxima de 80%. Um pai doando para um filho, com 50% de genes compatíveis, aumenta para 90 a 95% a chance de sucesso.

Pessoas que não são parentes de sangue, como esposos, esposas ou amigos também podem doar, desde que haja compatibilidade e uma autorização judicial liberando a doação.

No Brasil é proibido qualquer tipo de comércio de órgãos, então a doação sempre tem que ser um ato de amor e desprendimento, sem qualquer tipo de compensação financeira ou de qualquer outra espécie.

O principal exame de compatibilidade é o tipo sanguíneo ABO:

  • Uma pessoa do tipo O é chamado doador universal, pode doar para qualquer tipo de sangue, mas só pode receber de outro tipo O
  • O tipo AB é receptor universal, pode receber de qualquer tipo, mas só pode doar para outro tipo AB.
  • Tipo A pode receber do tipo A e do tipo O, e só pode doar para o tipo A ou AB
  • Tipo B pode receber do tipo B e do tipo O, e só pode doar para o tipo B ou AB

Diferente da doação de sangue, na doação de rim o fator Rh (positivo ou negativo) não interfere, ou seja, um paciente A+ pode doar para A+ e A-, pois o positivo ou negativo não interfere no rim.

Reforçamos que a doação de um rim é um ato que pode ajudar muito quem recebe, e praticamente não interfere na vida de quem doa. Nosso organismo pode viver muito bem com apenas um rim, pois ele consegue quase dobrar sua capacidade de trabalho após a doação, mantendo a filtração do sangue normalmente. Obviamente são feitos vários exames antes da doação para verificar a situação dos rins do doador, e se houver qualquer sinal de problema renal no doador, a doação é suspensa até melhores esclarecimentos.

Após a doação, que é feita por meio de uma cirurgia por vídeo laparoscopia (mini-câmeras), com a retirada do rim por um pequeno corte na parte inferior do abdome (semelhante a um corte de cesariana), o doador fica em repouso de 15 a 30 dias, podendo retomar suas atividades normais após esse período.

O doador falecido:

Quando uma pessoa sofre um acidente grave com um trauma muito forte na cabeça, ou tem uma hemorragia cerebral grande, essa pessoa vai para a unidade de terapia intensiva (UTI) e fica com a vida dependente de aparelhos e medicamentos. Em todos os casos graves que chegam a uma UTI, a equipe do hospital sempre faz tudo o que é possível para preservar a vida. Em muitos casos esses esforços ajudam a pessoa a se recuperar e felizmente acaba conseguindo voltar a viver sem os aparelhos e ir para casa normalmente.

Infelizmente, em alguns casos, ocorre de o cérebro parar de funcionar e acabar por morrer antes dos outros órgãos, porque os aparelhos e medicamentos estão mantendo os outros órgãos funcionando. Essa situação é chamada de MORTE ENCEFÁLICA, e é uma pequena janela de tempo que acontece entre a morte do cérebro e a morte dos outros órgãos.

Quando uma pessoa está com suspeita de morte encefálica na UTI, é aberto o Protocolo de Morte Encefálica, que é uma série de exames que são realizados pela equipe especializada para verificar se o cérebro está vivo ainda ou não. Enquanto esses testes são feitos, todo o restante do suporte à vida é sempre mantido, fazendo todos os esforços para evitar a morte. Caso os exames do protocolo de morte encefálica mostrem que o cérebro do paciente esta morto, a pessoa é declarada falecida.

Neste momento, o cérebro está em óbito, e esse processo é irreversível, mas os outros órgãos estão funcionando com ajuda de aparelhos. Os pulmões fornecem oxigênio com ajuda do aparelho de respiração. O coração bate com ajuda de fortes medicamentos. Os rins ainda filtram com ajuda de diuréticos. Mas como o cérebro está morto, e ele é o órgão que comanda o funcionamento do organismo, os outros órgãos acabam parando de funcionar também e morrem em pouco tempo. A pessoa infelizmente já está morta, mas os outros órgãos ainda funcionam com ajuda de aparelhos.

É nessa janela de tempo, entre a morte do cérebro e a parada de funcionamento dos outros órgãos, que a medicina pode intervir e fazer a doação de vários órgãos, como os rins, o pâncreas, o fígado, o coração, os pulmões, entre outros. A família do falecido sempre é abordada para decidir se quer ou não doar os órgãos do parente.

Para o paciente que está na diálise, o transplante de doador falecido é uma ótima opção. Ele fica inscrito na Central Estadual de Transplante, e caso haja uma doação de rim de doador falecido que seja compatível com o seu tipo de sangue, ele fica na fila para receber aquele rim.

A vida após o transplante:

O receptor de um transplante com bom funcionamento consegue ficar fora da diálise. O novo rim filtra as impurezas do sangue e o paciente urina normalmente.

Um dos maiores problemas do transplante é a rejeição. A rejeição é o processo de não aceitação do rim pelo organismo pelo sistema imunológico do receptor. O sistema imunológico é a defesa do nosso organismo. Sempre que algum invasor entra em nosso organismo, como um vírus ou uma bactéria, esse sistema tenta destruir o invasor. No caso do rim transplantado, por mais que a compatibilidade seja alta, raramente ela é 100%, ou seja, o sistema de defesa pode tentar destruir o rim como se ele fosse um invasor.

Para isso o transplantado precisa usar os medicamentos imunossupressores, que são remédios que reduzem a imunidade para reduzir a chance de rejeição. Esses remédios são usados desde antes do transplante e devem ser usados continuamente, enquanto o transplante funcionar.

Por isso o paciente transplantado não está “curado” da doença renal. Ele está fazendo um tratamento crônico, e precisa fazer consultas e exames periódicos com o nefrologista durante todo o período em que o transplante funcionar.

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